Ao Homo Noeticus, a humanidade superior que está nascendo agora, aos santos, profetas e sábios da história, cujo serviço altruísta ajudou a preparar o local de nascimento, e a você leitor, que é a ponte. John White

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A erótica e a experiência mística

Em todas as literaturas, dentro e fora do cristianismo, a experiência mística aparece invariavelmente em roupagens de vivência erótica. A palavra erótico- do grego erotikós, tem por significado aquilo que é relativo ao amor, que é inspirado pelo amor; que tem o caráter de lirismo amoroso.
Na Bíblia, não é somente no “Cântico dos Cânticos” de Salomão, mas também no Evangelho do Cristo, que a mística e a erótica figuram uma lado da outra. Eros e Lógos aparecem sempre de mãos dadas. Aqui é a representação do casamento da personalidade com a alma, o casamento do yin/yang.
O yin é a força feminina, receptiva e nutridora, ligada à terra e ao mundo da forma; o yang é a força masculina, ativa e criativa do mundo espiritual. Quando essas duas forças energéticas se equilibram em nosso interior, promove-se uma fusão dinâmica.

Como dizia João da Cruz: “a amada no amado transformada”. Sem este encontro com a Eros, a alma não poderia crescer, permanecendo em seu estado dormente de infantilidade.


Na cena ao lado, vemos mais uma vez arepresentação do arquétipo das mãos. A palavra mão está ligada ao conhecimento. Tocar a mão, apertar a mão é se apresentar, é firmar um conhecimento. Através das mãos comunicamos nossa energia, nosso coração. 
Mas também, através de nossas mãos, podemos comunicar algo maior que nós e que não nos pertence. (...) "Vós tereis uma Mão em vossa mão.” “Tua mão está levantada, Senhor, e eles não a vêem - (Isaías 26-11)”

Esta cena nos mostra que depois que as alturas descem aos abismos, à própria profundidade, como diz a sagrada Escritura, “elevou as mãos às alturas”... Esta cena encarna o estado de repouso da nossa personalidade, nos batimentos cardíacos da alma. É o apaziguamento dos instintos degenerados pela ação do egoísmo através de uma escuta silenciosa do coração da alma. 
É a escuta do Sopro, a escuta do “Eu Sou” que nos habita. Há lugares em nós que só existem quando o amor penetrou. Quando fazemos a experiência do “Eu Sou”, podemos retornar às nossas relações afetivas, mas nós seremos livres em relação à elas.
Não pediremos mais a um homem nem a uma mulher pelo apaziguamento do nosso desejo. É quando nós fazemos a experiência do “Eu Sou”, no Sopro e na vigilância, que podemos adorar o Pai.